quinta-feira, 27 de abril de 2017

Esta noite escutei versos

Esta noite escutei versos,
Quando minh’alma repousava,
Em sono, ouvia palavras recitadas,
Como quem para seu pupilo, ensinava.
Senti remorso e pena,
Quando acordei não me lembrava.
- Perdoe-me, mestre poeta...
Talvez o que me disseste teria
Que ser escutado só em sonho!
Como palavras sublimes
Que o homem terreno desconhece,
Como quem não está autorizado a falar...
Palavras sagradas,
Que são esquecidas quando amanhece.

Quem me dera ter um mestre,
Em que meus versos, pudesse compartilhar...
Ouvi-lo poemas sublimes recitar,
Num êxtase de dois mundos, explorar,
A metafísica do ato de se pensar.

Pássaros matinais me despertaram,
Trouxeram consigo seus versos cantados,
Não entendo o que dizem, mas sinto-os,
Como os versos do mestre poeta,
Que em sonho havia esquecido.
Ambos tocaram-me a alma
Só de, por minutos, tê-los ouvido!



Felipe Leonardo


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Quem és Tu?

Quem és tu afinal?
Que vens cheio de certezas,
Carregado de impurezas,
A dar sermões no meu quintal!

De onde vens tu afinal?
Que sua oratória transborda segurança,
Persuadindo adultos e crianças,
Como quem já conhecesse o final.

Quantas vidas já tem vivido?
Que suas convicções ignoram a história,
De filósofos diversos da Grécia antiga,
Que diziam que de nada sabiam...

De pessoas cheias de certezas,
Havemos de desconfiar,
Suas certezas são de consolo, uma correnteza,
A fim de suas mentes sedar.



Felipe Leonardo

Noite Tropical



Noite tropical,
Inspiradora, Amena.
Vem refrescar, sossegar.
Silencio, vento, escuridão serena,
Vem convidar, bailar,
Formosa morena.
Penumbra plena.




Felipe Leonardo

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Silencie

A essência de sua cultura,
Fica longe das metrópoles
Silencie e por fim escutará.
Conecte-se. Não se controle.

O supérfluo não importa,
O simples é o crucial!
Silencie e por fim escutará,
A voz que te guia ao final.

De grandes responsabilidades
Nós somos acometidos.
Silencie e por fim escutará,
Os seus secretos, internos pedidos.

Nossas mentes são galáxias,
Nas suas devidas proporções.
Temos o universo nas mãos,
Inverta os padrões!



Felipe Leonardo

Rotina da Cidade

Lá no horizonte o céu nublado,
Sobre as telhas de madeira,
Ignoram o sol pela beira,
Tudo parece calado.

As imensas ruas olham,
Espectadoras de nós,
Vão e voltam as pessoas...
- Que banalidade atroz!

Da rotina os homens fazem suas vidas
A alegria chega depois das seis,
Quantas horas vivem ao longo do mês?



Felipe Leonardo



terça-feira, 18 de abril de 2017

Barulho da Chuva



Gosto do clima da chuva,
Quando o casal de gotinhas,
Se encontram no meio do fio,
Formando uma gota maior,
Se espatifando no meio-fio.

Gosto do cheiro da chuva,
O cheiro que nasce na terra úmida,
Da felicidade da planta que dança
Que entra em festa quando o vento a balança.

Gosto do cheiro da chuva,
Porque me lembra ela,
Perfuma nostálgico que impera,
Aroma impar que só encontro nela.

A flor que brilha molhada,
Com o sol que nela rebate,
Ora, me enche de felicidade,
Ora, de melancolia me invade.

Quando o bem-te-vi canta,
Sou espectador ansioso,
Quando o pássaro silencia,
O mundo parece ocioso.

Enquanto todos passam sem me notar,
Permaneço ali. Friamente a admirar,
O brilho e o cheio da chuva,
Que do poeta marejou o olhar.


Felipe Leonardo



sábado, 15 de abril de 2017

O sábio

Sábio era Álvaro de Campos
Que previu há mais de um século
O que hoje ainda nos afeta...
- Eles vivem eternamente
   Como perpétuos semideuses, que nunca erram
   Encarnando por gerações,
   Um interminável poema em linha reta!


Felipe Leonardo

domingo, 2 de abril de 2017

Linda é a mulher



Linda é a mulher
Distraída a olhar,
Lindo horizonte,
Sentada a pensar,
Sob a folha grande
Da palmeira alta
Sua sombra te exalta
Seu claro semblante.

Linda é a mulher
Lê seu livro em calma.
Sol do meio dia
Queima a relva clara,
Vento leve passa
Ele ingênuo paira
Passa a leve página

Linda é a mulher
Com charme de lírio
Cabelo nos ombros
Os tira de lado
No mesmo compasso
Desnuda sua nuca
Branca como leite
Pingente de enfeite
Sobre ela descansa.

Se você me olhasse,
Do livro tirasse,
Os olhos um pouco,
Talvez escutasse
Meus versos humildes
Que a ti lhe recito
Sem os te contar.

Por mim não se mova,
Desfrute sua sombra,
Aproveite o livro.
Sou como uma pomba,
Que chega mansinho
Que olha a paisagem,
E foge do ninho.



Felipe Leonardo