segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A noite Inquieta



Tenho um choro entalado nas carótidas.
Ela me veio à mente,
Como uma ferida que não estanca,
Como dissera Galeano...
“Tenho uma mulher atravessada na garganta.”


Felipe Leonardo

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Poeta Viajante

Dizem que os poetas, ao escreverem,
À lugares sublimes iam.
Sentiam-se dono de culturas alheias,
E nos clímaces Inspiradores, sentiam falsas nostalgias.

Buscavam em seus mundos interiores,
Respostas para enigmas que eles próprios inventavam.
Mal sabiam eles, com suas inocentes sensibilidades,
Que estavam a se ajudar quando pensavam.

Dizem que os poetas ao escreverem, por outras vidas passeavam,
Como um conjunto de pseudo-médiuns de araque,
Discorrendo experiências de suas supostas existências,
Descrevendo lugares por onde transitavam.

Mas o que ao certo não se sabe,
É onde o poeta de fato se metia.
Na madrugada afora, quando queria, partia.
O sereno e a lua o inspirava.
Eu, pois,ía.


Felipe Leonardo

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sonhei estar



Sonhei solitário estar
Numa tal noite de inverno,
Na ribanceira de um vale
Paralisado a ali olhar,
O encapelado oceano
Que comigo tinha fúria,
Tuas ondas a intimidar.
E o vento mediterrâneo
Sussurros a assobiar,
Mensagens vindas do mar.

Quando atrás me deparei
Os casebres de madeira,
De dia eram coloridos
Pela noite entristecidos.
Vi luzes de candelabros
De tuas janelas saírem,
E a lua que rebatia
Sua cor prateada e bem clara,
Me empurrava ao vasto mar,
Que simples me engoliria.

Ali cansado eu pingava
E ao mar eu me proclamava:
- Mar, quem sabe tu és salgado,
do suor de quem suava,
lágrimas de quem chorava,
vozes de quem pelejava...
Oh! Enfurecido mar!
Tu que vistes já de tudo
Idas, vindas e, contudo,
Justo a mim queres levar?

Tempestades passageiras
São teus momentos de fúria
As estrelas não te acalmam,
Quem curará tuas injurias?
Com licença a ti concluo,
Por aqui quero ficar,
Tuas águas admirar
Que tu mesmo assim sombrio
Inspiras a quem passar.
- Acalma - te vasto mar!


Felipe Leonardo

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Noite de Buenos Aires



Noite fria em Buenos Aires,
Sobre a janela cai a chuva,
A boêmia sobe aos ares,
Sua cidade cheira a uva.

A portenha me intimida,
Me olha com olhos de fera,
Ao seu leito me convida,
Nessa hora quem eu era?

Cidade rude. Potente.
Charmosa ao anoitecer,
Descubra o sotaque! Tente.
Antes do sol ascender.

Ruas caladas me inspiram,
Sereno brilha no asfalto,
Sob os bancos de madeira,
Sobre os faróis lá no alto.

O acordeom soa o tango,
Timbre de voz de Gardel,
A brisa do Rio da Prata,
Traz o aroma do céu.


Felipe Leonardo

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Monótona Estação





O sono me invade,
Mas dormir não posso,
Ocupando o ócio,
O estomago arde.

Os trens vêm e vão,
Nem olham pro chão,
Por mim passam por cima,
Na monótona estação.

A garoa que despenca,
Remete-me solidão,
- Tenhas dó de mim,
Estenda-me a mão!

Meu interior borbulha,
- Quanto sentimento tenho eu!
- Não fui eu, Não me atribua culpa!
O breu em mim floresceu.

Mas como a garoa é fina,
Fino é o fio da esperança,
Como a luz do longínquo trem,
À mim sempre sorri a criança!






Felipe Leonardo

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Perdoe-me Moça




Não podemos duvidar,
Das certezas ditas pelo coração,
Confunde-nos a alma e nos corrói,
Entrando em contradição com a razão.

Perdoe-me, moça bonita,
Esse tolo poeta que aos prantos escreve,
Esbanja segurança e virtude ao falar,
Mas que no fundo sua ingenuidade se faz notar,

Perdoe-me, moça bonita,
Pela falta de atenção deste poeta tolo,
Que se perde em seu mundo próprio,
Se esquecendo da “cereja do Bolo”.

O amor queima o estômago
E sobe-se a angustia pela garganta,
Entala-se na goela, sem nos deixar falar,
E nos marca a alma que fora santa.

O amor queima assim,
Porque os que ainda sentem dor não sabem amar,
Amor puro e real não nos faz chorar,
Nos tira do lodo,
Nos emancipa a alma,
Por dimensões nos faz voar.



Felipe Leonardo

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Choro


Um mestre me disse certa vez,
Que o choro humano, tem um sentido errado.
O de exprimir nossas tristezas,
A dor da alma com os olhos lacrimejados.

Disse-me que o choro é belo. Sublime.
Para levar esta conotação entristecida.
O choro só é digno de escorrer pelas bochechas,
Quando é chorado com alegria e emoção sentida.

Ah! Pobres homens!
Por que levam a vida com sofrimento?
Quando aprenderem a controlar seus lamentos,
A colocar à frente da carne os sentimentos.
Já não hão de sentir os seus fardos,
Nem o peso dos seus corpos,
Somente a alma, pura sobre o vento.
O choro ganhará um novo testamento.


Felipe Leonardo

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Inspiração do Poente



Não sei o que me passa
Só me prostro a escrever,
Pelo fim de tarde,
Quando  o céu se alaranja,
Quando a bola de fogo já não arde.
Minha mente se arranja,
E a luz, à meu espírito desce.
Minh’alma amanhece com o poente!
A inspiração de longe se sente,
Com o poente, o poeta amanhece.


Felipe Leonardo