Sonhei solitário estar
Numa tal noite de inverno,
Na ribanceira de um vale
Paralisado a ali olhar,
O encapelado oceano
Que comigo tinha fúria,
Tuas ondas a intimidar.
E o vento mediterrâneo
Sussurros a assobiar,
Mensagens vindas do mar.
Quando atrás me deparei
Os casebres de madeira,
De dia eram coloridos
Pela noite entristecidos.
Vi luzes de candelabros
De tuas janelas saírem,
E a lua que rebatia
Sua cor prateada e bem clara,
Me empurrava ao vasto mar,
Que simples me engoliria.
Ali cansado eu pingava
E ao mar eu me proclamava:
- Mar, quem sabe tu és salgado,
do suor de quem suava,
lágrimas de quem chorava,
vozes de quem pelejava...
Oh! Enfurecido mar!
Tu que vistes já de tudo
Idas, vindas e, contudo,
Justo a mim queres levar?
Tempestades passageiras
São teus momentos de fúria
As estrelas não te acalmam,
Quem curará tuas injurias?
Com licença a ti concluo,
Por aqui quero ficar,
Tuas águas admirar
Que tu mesmo assim sombrio
Inspiras a quem passar.
- Acalma - te vasto mar!
Felipe Leonardo

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