sexta-feira, 31 de março de 2017

Saudade




Saudade,
É o sol da tarde,
A secar a pele com o tempo.

Saudade,
É sal que arde,
Quando aos olhos, vem o condimento

Saudade,
É a cadeira de balanço antiga,
À beira da porta da varanda onde sento.

Saudade,
É o nostálgico pássaro,
Que assobia à janela do meu aposento.

Saudade,
É o silencio da cidade,
Que adormece noite adentro.

Saudade,
É falta sem necessidade,
Som que ecoa com o vento.

Saudade,
É um olhar esfíngico
Que se perde na paisagem.

Saudade,
É filha única,
Não tem irmãos para compartilhar a ansiedade.

Saudade,
Não tem sinônimo,
É um mar de subjetividade.


Felipe Leonardo

segunda-feira, 27 de março de 2017

Poetas Problemáticos


Poetas são problemáticos.
Problemas em forma humana.
Que sentido tem meus versos,
Aos que os lêem?

Vocês que estão a ler-me,
De certa forma também são,
Um pouco problemáticos...
Somos poetas!
Tu e eu!

Que gratificação eu teria!
Que alegria sentiria!
Se estes versos corridos,
Seus problemas iluminassem.

Que utilidade tem os poetas,
Senão de criar problemas em versos
Com estrofes confusas,
Que juntas tornam-se,
Uma problemática poesia!?

Somos poetas!
Tu e eu!



Felipe Leonardo

sábado, 25 de março de 2017

Biblioteca


Sozinho sentado à mesa,
Custam-me os versos a saírem,
Livros e prateleiras me rodeiam,
E me olham ansiosas e aflitas,
- Não há ninguém nesta sala,
  Não há ninguém neste recinto!
Nesta vasta biblioteca,
Que mais parece labirinto.

Sinto-me vigiado
Encurralado por papéis,
Intimidado por idéias,
Dos grandes poetas fiéis,
Que não me falam um “a” sequer,
Mas que fazem do silêncio,
Um interminável “mal-me-quer”

No silêncio que noite adentro vai,
Barulho, só de minha mente,
Que entra em êxtase, contente,
Quando a primeira estrofe sai.


Felipe Leonardo

quarta-feira, 22 de março de 2017

Asfalto Silencioso



À meia noite quando chego em casa,
Sinto-me solitário como nunca antes no dia.
Sou solitário, mas nunca como à meia noite,
Quando dou meus passos largos
Naquela rua misteriosa que lamentação emana,
Caminho como quem tem pressa,
Mas ao mesmo tempo sensibilidade,

De admirar o grande asfalto sem vida humana.
Silêncio que tem ponto final
Quando a maçaneta barulhenta soa,
E o miado do gato amigo,
No silencio ecoa.


Felipe Leonardo

sábado, 18 de março de 2017

Paredes do Quarto

Entre as paredes do quarto,
Ouço o avião passar,
Manso a voar.
No fervor da cidade,
Uma janela assim acesa,
Solidão a pensar,
Nas noites quentes de outubro
Não encontro nada claro,
Pensamento a se esvairar.
No ócio da insônia
Só me resta escrever,
Lápis a rabiscar,
O mormaço do quarto,
O grito das crianças na rua,
A brincar,
O ventilador a rodar,
O cachorro a ladrar,
A me entediar.

Por que ela me confunde a mente?
Por que ela me olha como estrela cadente?
Por que elas me tocam profundamente?
E eu covardemente,
Procuro soluções,
Para a mente sedar.


Felipe Leonardo

quarta-feira, 15 de março de 2017

Minha casa

Aqui da minha janela
Debruçado a olhar o mundo,
Ouço um som separado.
Há bem-te-vis em meu telhado,
E os que aqui cantam alegres,
Longe daqui não cantam igual,
Pois aqui têm um cantar inspirado!

Aqui da minha janela,
O mundo parece o caos,
Sou expectador longínquo
Da humanidade vil e banal,
Que são mais irracionais,
Que o próprio menor animal.

Minha casa é a fortaleza,
Onde mora a calmaria,
Uma bolha de silêncio,
Uma senhora Poetiza,
Onde ninguém sujo pisa.


Felipe Leonardo

domingo, 12 de março de 2017

Somos Ondinhas



Se a vida é uma leve ondinha
Que em seu ciclo sozinha passa,
O mar é a nossa avózinha,
Que com um abraço nos leva pra casa.

A vida é um sopro fugaz
Reféns, todos seus filhos são,
No mar o vai-vem das ondas
Mostra-nos essa imensidão.

O sol morre toda tarde
Pra vivo voltar amanhã.
Nós morremos nessa vida,
N’outra nascemos de manhã.

O oceano nos espera,
Eterno em seu imenso lar,
A morte não nos é o fim,
Há vida em terras de além-mar.



Felipe Leonardo

quarta-feira, 8 de março de 2017

Alegria Real

A alegria real e duradoura
É o momento que estamos ao trabalho.
A preguiça acostuma-nos ao poço,
Tornando-nos aos poucos em bugalhos.

Momentos vazios corroem a alma,
Definham-nos. Aos poucos escravizam.
Na busca incessante da nossa calma,
O sonho do céu eles mal formalizam.

Olhe ao seu redor e aí perceba,
O amor que dás a pessoa amada,
A mais linda palavra intencionada,
Demonstre afeto! Edifique a alma!

Lindo é o céu azul e o sol reluzente,
Linda a alegria do amor que se sente,
Lindo é o sorriso da alma contente,
Inspira as palavras. Nos faz presente!


Felipe Leonardo

quinta-feira, 2 de março de 2017

Berço de América



Com povos vencidos sonhei
O mistério das linhas secretas,
No berço da América, definidas retas...
Com meu amor viajei.

Ventos hispânicos bebi.
A terra e o milho.
A lhama sagrada. O novilho.
Antigos caminhos segui.

- Olhos de índia pequena,
Belos como um girassol,
Canta e dança serena,
Suas canções para o sol!

Noite sagrada tens tu,
Masca a coca. Honra tua luz.
Planta tua história. Carrega tua cruz.
Triunfa ao sul. Peru!


Felipe Leonardo