quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Assim cegou o Coronel


    


- Égua! Quero que eu fique cego, mas não abençoo essa união mundana de vocês!
    Assim esbravejou Coronel Pedro Jansen ao ouvir sua filha Luzia dizer de pé junto que se casaria de qualquer maneira, mesmo sem sua aprovação. Mas este fio da meada retomaremos ao fim. Comecemos do começo.
    Pedro Jansen era sujeito firme e sistemático, aposentado do 7º batalhão de infantaria do exército no Pará, e de sangue azul holandês. Sobrenome veio junto com os piratas na época de colonização – essa parte não gosta de lembrar.  Era desses que tem a sobrancelha junta, a testa curta e uns olhos fundos que já viram mais sangue que muito açougueiro.
    No entanto, a aposentadoria lhe sossegou os fachos. As carabinas ficavam agora somente expostas na parede, ameaçando, irônicas, o sujeito homem que cortejasse Luzia, a caçula. Mas desde então, Coronel Pedro Jansen acalmara o “coração” com a chegada do primeiro neto que sua filha mais velha trazia no ventre.
    - Essa menina honra o sangue que carrega!
    Os elogios e adjetivos ensolarados eram, como se vê, para a filha que já estava com a vida alinhada, segundo o pai.
    Alinhado é palavra que varia dependendo da mente de quem diz. Alinhado para costureira é tecido justo. Para Luzia era uma vida com o coração limpo. Para o Coronel, alinhado era estar casado e não ter as “frescuras dos dias atuais”.
    Luzia era moça serena. Tinha amigo homem de tudo quanto é jeito. Dizia que homem tinha amizade mais sincera. Era de personalidade e de ideias visionárias, mas calada. Devido aos conflitos em casa, foi buscar ar puro fora do pseudo-lar.
    Certa noite, em uma conversa com os rapazes, comentou-se de um certo cabaré que abriria na região. Conversas chamadas – masculinas – eram as únicas em que Luzia era educadamente excluída da roda dos amigos. Num sábado de feriado, visitou o local por curiosidade-rebeldia.
Esperou o breu se instaurar e a lua sair e saiu junto com ela. Vestiu-se com um sobretudo a fim de se disfarçar, mas não lembrava que o calor Paraense castigasse tanto mesmo sem sol. Ao entrar, logo se notou o clima de festa. Desconhecia tudo. Olhava com olhos de criança curiosa os rapazes, bebidas, o brega, e principalmente as mulheres, aparentemente felizes, seminuas cheirando a cerveja.
    - Ajudo em algo, meu bem?
    A voz que Luzia ouvia vinha de sua nuca. Voz doce como aquelas que escutava das moças no rádio de manhãzinha. Na penumbra quando virou-se, uma boca morena e uns olhos grandes escuros que nem cabra curiosa, lhe observavam.
    Luzia apaixonou-se de certo. Ficara estática e não pudera fazer nada quando a moça lhe pegou pelas mãos e a levou ao quarto. Chamava-se Angelina.
    - Mão macia o senhor tem, seu moço! – Rindo-se
    Chegando ao quarto, Luzia despiu-se do sobretudo. Pela primeira vez as duas se enfrentavam no olhar. Ambas espantadas, como duas almas que se cumprimentam nuas com os olhos. Analisaram-se por mais de um minuto caladas. Dialogaram em beijos inconscientes.
    Angelina era filha de boto e criada só pela mãe que falecera quando moça. Era jovem de tudo, mas conhecia homem como ninguém. Homem é bicho liso e tem as vistas ocas. O paraíso que Luzia lhe oferecia, não encontrou nos olhos de homem nenhum. Ao longo de três meses, as duas se encontravam às escondidas todos os sábados e criavam raiz. Um pacto íntimo inconsciente, entretidas sob o luar. Ao quarto mês, ambas tomaram uma decisão.
    Conversar com Coronel Pedro Jansen seria rápido. Já entenderiam a negativa do diálogo. Era avisar e fugir.
- Papai, esta é Angelina, minha mulher. Com ela me caso. Mudo-me hoje mesmo para Belém! – Disse a moça antes mesmo do almoço no domingo.
    Estavam presentes a filha mais velha do coronel junto com seu marido pomposo. Riram-se irônicos, de canto de boca. Luzia como num ato de impulso jogou o café quente recém preparado no colo dos dois, com a calma de quem joga o primeiro gole de pinga ao santo.
    - Égua! Quero que fique cego, mas não abençoo essa união mundana de vocês! – Esbravejou o Coronel.
   - Me apaixonei pelos olhos dela, meu pai. O que tinha entre as pernas de Angelina descobri depois, mas era tarde. Já tinha os quatro pneus arreados por ela. A alma não tem sexo, e caso-me com ela sim!
    Na mesma noite, as duas já com suas malas prontas e a passagem comprada, fugiram para a capital. Partiram como quem busca a felicidade alinhada. Uma semana depois da fuga, Coronel Pedro Jansen adoeceu de conjuntivite e cegou. Ou quem sabe já era cego de nascença.





(Felipe Leonardo)

domingo, 9 de dezembro de 2018

Teófilo, o menino embaraçado


    



    Teófilo Complexo era um menino embaraçado como o nome que carregava. Talvez sua mãe em sua gestação previsse o que trazia no ventre. Mães têm certos poderes paranormais que desconhecemos. Mas Embaraçado é palavra relativa quando todos a sua volta pareciam descomplicados demais. Pelo menos com o adjetivo acima, seus amigos e parentes o julgavam com respeito, nas rodas de conversas da rotina.
   Com seis anos sua mãe o pegou conversando sozinho ao pé da cama, parecendo estar em profundo diálogo com a parede. Balbuciando palavras como se o branco infinito da parede o cegasse da realidade. Era cego da verdade imediata em que vivia. Escrevia textos enormes sem nexo em dezenas de folhas seguidas, dialogava com vento, árvores, patos, e por onde passava recolhia pedrinhas do chão e as guardava no bolso, pois jurava que elas estavam perdidas no caminho.
    Ao longo dos anos sua mãe passou a chamá-lo de Téo. Descomplicar o nome foi uma atitude espontânea, como quem quer se reaproximar do ser que dividiu alma por nove meses.
Pelo menos os textos enormes sem nexo diminuíram de frequencia. Foram sendo trocados por linhas mais breves acompanhados de algumas estrofes. Mais confusas, é certo. Porém breves.
 - Olhe lá, Lourdes. Quando a gente pensa que melhora, piora...

    Em época de puberdade as esquisitices só aumentavam. Sua tia Lourdes dizia que o menino provocava calafrios com seus atos sinistros. Recomendou à mãe que o levasse a um psicólogo, mas a mãe altamente supersticiosa e mística de alma, não acreditava nestes tipos de bacharéis.
 - Para conversar, conversamos em casa, oras! Esse menino nasceu com a alma do avesso – Dizia.
   Conversas. Aí estava o grande dilema. Quem seria capaz de desembaraçar o menino complexo? Nas tentativas de diálogo, Teófilo parecia consciente e tranquilo de tudo. Ficava espantado que sua mãe não conseguisse ver alma nas pedrinhas e nos patos. Como se os esquisitos na realidade fossem os outros.
    Decidida, sua mãe resolveu levá-lo a Dona Nice. As crianças e jovens da região tremiam. As bocas ingênuas chamavam-na de bruxa, pois além da aparência, boatos diziam que ela passava ramos de arruda nas pessoas para curá-las. Todos da vila a conheciam por descomplicar pessoas complicadas. Era batata!
    - Seu filho nasceu com uns encostos, minha filha. Escuta voz de tudo quanto é lado.
Vou lhe passar alguns procedimentos. Faça o rapazinho tomar banho de sal grosso por seis dias. No sétimo banho, mate um pato jovem e jogue por cima do menino as penas.

     Teófilo, curioso, estava longe, escutou apenas alguns trechos. Estava apreensivo. Não entendia o que o pato tinha a ver com banho.
- A partir de agora você toma jeito! – Dizia a mãe fervorosa.

    Ainda era domingo quando o pato já estava selecionado, ainda vivo preso nos fundos da casa.
    Ao longo da semana o menino não entendia o porquê das pedrinhas salgadas que lhe eram jogadas por cima do box pela mãe quando ele se lavava...
- Por que raios a mãe quer que eu converse com elas agora? – Pensava.
  No sétimo dia, sua mãe se ausentou brevemente para tarefas cotidianas. Quando voltou, viu Teófilo conversando com as pedrinhas de sal grosso e dando banho no pato.




(Felipe Leonardo)

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Sapato fino no sertão é sandália de couro





   Esse céu pelado e esse sol ardido são testemunhas eternas de sujeitos valentes. Quem sobrevive por essas bandas, de duas uma: Ou é forte de nascença, com a alma já calejada, ou é porque cresceu com leite de cabra. Leite de cabra tem pelos quatro cantos da região. Dá menos gasto criar a bichinha do que uma vaca leiteira.
    Moro por aqui desde que nasci. Imagino que eu seja forte. Na verdade essa história, finada mainha quem contava!
- O sol brilha aqui mais forte porque Deus escolheu o nordeste, meu filho! Essa terra tem que brilhar mais que qualquer uma outra!
    A vizinhança sempre foi amistosa. Cidade de interior é assim. Todo sábado, no fim de tarde, quando a bola de fogo já não queima e o vento começa a balançar as mangueiras, tem baião na praça. Ritinha, filha de Dona Severina sempre foi minha menina dos olhos. Nunca a convidei pra dançar. Um dia tomo coragem.
    Moça valente, de uma voz firme e doce. Povo diz que ela é neta de cangaceiro, por isso não abaixa o queixo pra macho nenhum. De cabelos longos, umas pernas finas que nem a da seriema, e um remelexo da gota.
    Só nunca fui com a cara de uns narizes empinados que volta e meia chegam por essas bandas, todos engomados cheirando a creolina. Parece que só porque vivem na capital, tem um lugar no céu diferente do nosso. A Virgem Maria há de julgar isso.
   Normalmente chegam por aqui tentando convencer os camaradas a vender terra pra plantarem os maquinários a fim de caçar algum minério. Pedrinha colorida tem de monte, mas água é raridade. Que eu saiba essas pedrinhas não matam a sede, mas algum valor há de existir.
   Um desses cabras, chamado Afonso, se engraçou pros lados de Ritinha. Jurou em vida que se um dia ficasse rico levaria a moça embora pra capital. Nós, os moços do sertão, saímos sempre em desvantagem com esses sujeitos. Atiçam a curiosidade de todas as meninas daqui com suas formas diferentes de falar, cheios de moda no corpo. Como aqueles pavões que se enchem de cor pra se destacar.
    Camisa de seda leve, com umas estampas até muito vistosas. Uma calça alinhada e um sapato brilhoso. Bonito realmente. Só trocaria o sapato por uma sandália de couro, e a alma podre por uma alma nova, daí o cabra se renova!
    Ritinha por sua vez era moça esperta, pensava à frente de suas amigas. Parece que tinha uma parte do coração em forma de homem, porque entendia as maldades e malandragens masculinas só com um olhar. Aquela não se enganava.
    Mas todas minhas esperanças um dia foram por água abaixo quando o sujeito convidou a moça pro forró. Foi à casa dela logo depois do meio dia, na hora em que a barriga descansa, pra entregar uma pulseirinha de concha de presente, junto com o convite. Ritinha permaneceu em silêncio e agradeceu.
 - E esses cabras da capital lá sabem dançar forró!? – Pensei.
   Confesso que fiquei meio acabrunhado. Minha alegria maior era dançar ao som da zabumba no sábado à noite, e quando não, gostava de ver a moça dançando com o vento. Cada volta que ela dava parecia suspender no ar. Como o beija-flor que só de balançar as asinhas, flutua. Aquele vestido rodado era as asinhas dela.
    O tal do Afonso por vezes me via na cidade. Quando o sujeito é ruim a gente reconhece no olhar. Que nem bicho ruim do mato. Algo me dizia que ele sabia de meu interesse na moça. Cortejava Ritinha escancaradamente só por pirraça.
    Por fim a data do baile chegou. O dia havia sido quente, mas a brisa que nunca se esquece de vir, refrescava todo o povo. Sou sempre um dos primeiros a chegar à praça, me arrumo pra ir à missa e depois dançar. Mato dois coelhos numa cajadada só!
Quando os cantores já haviam começado a festa, o sujeito chegou. Com suas roupas alinhadas e seu sapato brilhoso. Sentou-se no banco como quem já espera a vitória.
    Ritinha vinha com seu vestido de beija-flor, e a pulseira de conchas. Por onde ela passava, deixava o rastro de perfume que só ela tinha. Passadas firmes, olhar mirando o longe, como aqueles pássaros do sertão em busca da presa. Ela era minha pedrinha colorida.
    Estava vidrado em seu caminhar e mal notei sua presença vindo em minha direção. O compasso do xote combinava certinho com as passadas dela. Vinha como num clipe, desses que a gente vê no cinema. Parou em minha frente e disse:
 - Bonita essa tua sandália...combinou com tua camisa, visse?
Agradeci com a cara abobada, e retribuí o elogio. Mal pude terminar quando ela me retrucou:
 - Bora dançar comigo?
Acho que a sede havia me deixado delirante. Não era possível. Aceitei de imediato!
Perguntei sem entender:
 - Tu não ía dançar com o doutor ali?
 - E esses cabras da cidade lá sabem dançar forró!?



(Felipe Leonardo)


A morte após a morte





    Foi como acordar de um longo sonho. Desses que não nos lembramos como são... Como haverei de explicar-lhes, senhores?
    Despertei-me em um pesadelo, como se viesse de tobogã junto com a água lodosa que me acompanhava. Um frio na barriga e um suspiro me vieram de imediato, como quem dorme e lhe é jogado um balde gelado na cara. O breu que trazia em vida, se estendeu ao pesadelo.
- Enlouqueci, seguramente!
    Sentia frio, fome e um estranho gosto de remédio amargo na garganta que me corroia o estômago simultaneamente... Sim! Recordo-me!
    Havia tomado o tal remédio mortal, desses que os ratos tomam com o fim de me abreviar o pesadelo e o choro infinito que vivia. Estava na lama junto com os ratos.     Faziam companhia a mim deste lado.
    Minhas últimas recordações eram vazias. Fui professor de filosofia. Cético e solitário.       Nunca me apaixonei por mulher ou homem nenhum. Esses poetas românticos sempre me deram sono. Escrevi como muitos intelectuais fazem. Embora nunca tenha gostado de minhas obras, estas me tiravam momentaneamente a ideia de ir morar com os ratos do lado de cá. A filosofia que tantas alegrias me deu me encurralou em seus labirintos da razão e me fez desistir da vida.
    Que tipo de filosofia explica este sobrenatural? A metafísica de Kant me deixou com as calças na mão nessas horas! Minha razão e orgulho esbarraram em terras lamacentas e ratos cobertos de musgos verdes. Depois de algumas semanas preso nessa angústia repetitiva, tive a certeza de que havia morrido.
     A morte nos acompanha a cada suspiro que damos em vida. Ela nos espreita como aquele primo brincalhão que nos espera atrás da porta, prestes a dar-nos o susto. Neste caso específico que por aqui discorro, decidi ir ao encontro dela deliberadamente. Deixo gravado neste papel amassado, minhas caligrafias cor de sangue. Decidi por vontade própria trocar a morte que tinha em vida, pela curiosidade da morte do lado de lá, e enlouqueci.
    Que outra explicação eu teria? Qual dimensão é a real, senhores? A dos sonhos ou a da carne?
    Caixa misteriosa essa que carregamos presa ao pescoço! Nosso mundo está dentro dessa massa encefálica. Um mestre como eu rendido ao inexplicável. Preso na dimensão do além.
    Dizem que quando escrevemos buscamos a verdade. Como crianças recém nascidas com os braços estendidos, ansiosos a tatear o novo. Escrevemos aspirando revelações, senhores. E assim creio que daqui sairei.
    Permaneço a tatear o invisível em meus umbrais, mas já não sinto o amargo na boca. Vejo um pequeno ponto brilhante no céu. Há de ser o sol!
Graças a Deus! Graças a Deus?




(Felipe Leonardo)

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Estrangeiro




Alheio do mundo
Esta alma respira.
Em meio a esbarros propositais
Vai tateando arte,
Com estes olhos que escutam,
Arregalados de novidade.


Se sou estrangeiro
Por onde passo,
Quando escrevo
Visito minha pátria.
Sorrio às rimas,
Cheio de saudades,
E faço dos versos
Sofás por onde deito,
Depois de almoços temperados.





(Felipe Leonardo)

Poema Cego




Hoje quero escrever o poema mais triste.
O poema do menino enclausurado
Em seus próprios medos.
Há tempos anda cego,
E assim ele vai,
Tropeçando em pedras imaginárias
E paralelepípedos invisíveis.

Abdico-me de rimas e métricas
Este poema não precisa de adornos
Somente a alma crua e fria

De seus olhos escorrem lagrimas vermelhas
Tinta espessa que enche o tinteiro.
A mesma cor que escreve estes versos.

O menino parece morto...
Seu cadáver anda pela terra
E sua alma nele está entalada.

Os abismos o contornam.
Cercam-no como predadores,
Que sentem o aroma do medo.

Há tempos anda às cegas.
Em seus sonhos há nevoas,
Densas como leite.

Mas ao longo dos anos
O menino aprendeu a tatear a vida.
A poesia é seu braile.





(Felipe Leonardo)

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Poesia Extraterrestre



O que devem pensar os alienígenas
De nossa Escrita?

Haveria em outros mundos
A arte da poesia?

De certo, de tão evoluídos que são,
Não encontrariam arte em nossos versos...

Se onde moram for perfeito como dizem, não precisariam de literatura...
Pois não necessitariam dela para ignorar a vida...

Como seria a literatura em outros mundos?
Eles lá devem ter seus pensadores e poetas...

Seria a arte alienígena, incompatível ao nosso entendimento?
E se estiverem rindo de nossas métricas!?

Como ousariam desprezar Drummond, Camões,
Pessoa e outros medalhões!?

Prefiro não pensar.
“Pensar é estar doente dos olhos”.

E por que por outros mundos viajar,
Se a literatura deste me satisfaz?

Se já me perco em minha mente...
Esta enorme galáxia voraz!



Felipe Leonardo

domingo, 30 de setembro de 2018

O Abismo de Flores



O amor me atrai sempre.
Sou frequentemente arrastado
Sem nenhum tipo de contestação,
Para esse abismo de flores e cores.

Sinto frios que sobem pela barriga
Cordas vocais trêmulas
Vácuos que pairam sobre a cabeça
E brisas cheirosas que do abismo sobem.

Chego a sua beira e o admiro.
Arregalo os olhos como criança nova,
E sonho felicidades antecipadas.
Em meu coração ponho terra fértil,
E em meu peito crescem flores.




(Felipe Leonardo)