Hoje quero escrever o poema mais triste.
O poema do menino enclausurado
Em seus próprios medos.
Há tempos anda cego,
E assim ele vai,
Tropeçando em pedras imaginárias
E paralelepípedos invisíveis.
Abdico-me de rimas e métricas
Este poema não precisa de adornos
Somente a alma crua e fria
De seus olhos escorrem lagrimas vermelhas
Tinta espessa que enche o tinteiro.
A mesma cor que escreve estes versos.
O menino parece morto...
Seu cadáver anda pela terra
E sua alma nele está entalada.
Os abismos o contornam.
Cercam-no como predadores,
Que sentem o aroma do medo.
Há tempos anda às cegas.
Em seus sonhos há nevoas,
Densas como leite.
Mas ao longo dos anos
O menino aprendeu a tatear a vida.
A poesia é seu braile.
(Felipe Leonardo)

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