Ah, deixem-na chorar...
A exprimir no pranto
Os pesados fardos que carregou.
As lágrimas que outrora hesitou,
Escorrem livres por enquanto...
Sim, deixe-a chorar...
Que este soluço compulsivo
É o suspiro da alma renascida,
Que respira já sem os grilhões que a prendia,
E tira do peito o veneno nocivo.
Chore como nunca! Deságue.
E molhe meu ombro com esta água benta,
Pois este choro sincero, tua alma acalenta,
E que tuas mágoas em águas profundas naufrague.
(Felipe Leonardo)
(Pintura - Fausto Hurtado - Un charco de lágrimas)

