terça-feira, 30 de outubro de 2018

Estrangeiro




Alheio do mundo
Esta alma respira.
Em meio a esbarros propositais
Vai tateando arte,
Com estes olhos que escutam,
Arregalados de novidade.


Se sou estrangeiro
Por onde passo,
Quando escrevo
Visito minha pátria.
Sorrio às rimas,
Cheio de saudades,
E faço dos versos
Sofás por onde deito,
Depois de almoços temperados.





(Felipe Leonardo)

Poema Cego




Hoje quero escrever o poema mais triste.
O poema do menino enclausurado
Em seus próprios medos.
Há tempos anda cego,
E assim ele vai,
Tropeçando em pedras imaginárias
E paralelepípedos invisíveis.

Abdico-me de rimas e métricas
Este poema não precisa de adornos
Somente a alma crua e fria

De seus olhos escorrem lagrimas vermelhas
Tinta espessa que enche o tinteiro.
A mesma cor que escreve estes versos.

O menino parece morto...
Seu cadáver anda pela terra
E sua alma nele está entalada.

Os abismos o contornam.
Cercam-no como predadores,
Que sentem o aroma do medo.

Há tempos anda às cegas.
Em seus sonhos há nevoas,
Densas como leite.

Mas ao longo dos anos
O menino aprendeu a tatear a vida.
A poesia é seu braile.





(Felipe Leonardo)

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Poesia Extraterrestre



O que devem pensar os alienígenas
De nossa Escrita?

Haveria em outros mundos
A arte da poesia?

De certo, de tão evoluídos que são,
Não encontrariam arte em nossos versos...

Se onde moram for perfeito como dizem, não precisariam de literatura...
Pois não necessitariam dela para ignorar a vida...

Como seria a literatura em outros mundos?
Eles lá devem ter seus pensadores e poetas...

Seria a arte alienígena, incompatível ao nosso entendimento?
E se estiverem rindo de nossas métricas!?

Como ousariam desprezar Drummond, Camões,
Pessoa e outros medalhões!?

Prefiro não pensar.
“Pensar é estar doente dos olhos”.

E por que por outros mundos viajar,
Se a literatura deste me satisfaz?

Se já me perco em minha mente...
Esta enorme galáxia voraz!



Felipe Leonardo