terça-feira, 31 de julho de 2018

Chuva




Hoje despertei com a chuva.
Acordei sereno com os pingos no telhado
E o marasmo do silencio das cinco horas.

Tudo dormia,
E permanecia inerte
Menos a chuva tagarela.

Seus pingos conversaram
Com asfalto, calhas e terra,
A noite inteira.

O sol preguiçoso,
Continuara de olhos fechados,
Permanecia apagado.
Despertei-me antes dele.

Mas ao escrever o poema,
Os gatos pararam de namorar.
E o céu camaleou.




(Felipe Leonardo)

A Moça Regente




Ela traz a noite no sorriso
E a cidade nos lábios.
Tudo reluz como semáforos.

Nas vésperas ansiosas, imagino-a
E sou todo poesia.
Se a vejo, esqueço-me,
Torno-me melodia.
E meus dedos viram acordes,
Onde ela me dedilha.

Torno-me flauta
Se a boca dela me toca.
Sou todo ansiedade,
Se a boca dela me falta.

E seu olhar são duas luas
A clarear minha noturna rua.
Nela caminho
Sem esperar pelo dia.




(Felipe Leonardo)

quarta-feira, 25 de julho de 2018

O Corpo é casa




Meu corpo é minha casa.
Por aqui vivem outros,
Diferentes versões de mim.

Casa movimentada!
Um falatório interminável.
Conselhos, pensamentos e incertezas,
Estapeiam-se e se esbarram no ar,
Em busca de chão firme.

Das janelas dessa casa
Existem vitrais coloridos,
E paredes com caixa de ovos.
O barulho e o caos passam despercebidos.

[Meu pai quem diz;
Bocas quietas,
Mentes barulhentas.]

Fui ao médico para saber dessa enfermidade.
Sofro de congestionamento de ideias.
Confesso que me esforço para ouvi-las,
Guardo-as em apertadas prateleiras.
As que caem de lá, viram poemas.




(Felipe Leonardo)