O passarinho solitário,
No mais alto galho da cidade,
Olha pra todos os lados,
Só encontra saudade.
O vento balança a árvore,
Que balança a ave,
As perninhas tremem,
Mas isso não parece um entrave.
O homem por detrás do vidro,
Remete minha imagem, estupefato,
Com seu bigode de Homem-moço
Observa o passarinho parado.
Ele queria ser passarinho,
Voar. Bater as asas quando desse.
De vez em quando fazer uma prece,
Sem preocupação descansar no ninho.
E eis que ele voa,
Deixando tudo para trás.
Não o moço do bigode,
Mas o passarinho fugaz.
Felipe Leonardo


