terça-feira, 27 de junho de 2017

O Passarinho




O passarinho solitário,
No mais alto galho da cidade,
Olha pra todos os lados,
Só encontra saudade.

O vento balança a árvore,
Que balança a ave,
As perninhas tremem,
Mas isso não parece um entrave.

O homem por detrás do vidro,
Remete minha imagem, estupefato,
Com seu bigode de Homem-moço
Observa o passarinho parado.

Ele queria ser passarinho,
Voar. Bater as asas quando desse.
De vez em quando fazer uma prece,
Sem preocupação descansar no ninho.

E eis que ele voa,
Deixando tudo para trás.
Não o moço do bigode,
Mas o passarinho fugaz.



Felipe Leonardo

Os gatos

Naquele momento pós-almoço,
Gosto de admirar meu gato.
Ele não demonstra o mínimo de importância,
Ao fato de olhá-lo descaradamente.
Continua a lamber-se depois da sesta
Fugindo do sol do inicio de tarde que lhe judia os pelos,
Exibindo uma tranquilidade invejável.

Seguramente ele deve ser feliz,
Pois não filosofa sobre a vida
E não tem crises de ansiedade
Devido à correria da corrida invisível dos homens.

Suspeito que os gatos vivam
Em duas dimensões ao longo do dia:
Onde em uma vivam suas vontades
Gritando no telhado e correndo atrás de bolinhas,
E na outra durmam passivos ao sol
Enquanto seus donos enchem suas tigelinhas...
Gatos são reis!

Em verdade o sonho de todo ser humano,
É ter essa vida de faraó felino,
Admirar a vida com seu olhar esfíngico,
E sentí-la passiva e tranquila ao destino



Felipe Leonardo

terça-feira, 20 de junho de 2017

O começo



Antes do começo o tudo era nada
Só a faísca da consciência divina
Desta faísca surgiu toda a criação
Girando em espiral no centro
Girando em círculos de vida.

No céu infinito,
Movimentam-se os astros
Em intermináveis círculos.

A inútil poeira cósmica,
Em caracóis pairam,
A circular no espaço.

Em nós movimentam-se energias
Giram os chakras entretidos,
Em movimentos circulares como no início.

O que morre renasce,
E o que da morte nasce,
É a vida em abraço.

No planeta terra
Ideologias políticas terrenas vão e voltam...
Por gerações os ciclos.

A queda e o levantar,
A insistência de recomeçar,
Eis o mistério dos círculos


Felipe Leonardo

Banco de Estação





Vem sentar-se ao meu lado
No banco da estação, moça.
Que os trens que vem e vão,
São efêmeros como nossas vidas,
Cada partida uma despedida,
Cada chegada uma alegria.

Vem! Sente-se ao meu lado moça.
Repara que os trilhos são caminhos,
E de nossos caminhos, cuidamos nós.
Essas pessoas nos são alheias,
Não conhecem nossas fraquezas
E na maioria também estão sós.

E que nessa pressa que todos têm,
Não nos incomode aqui sentados,
Deixe-os correr desesperados,
Às suas corridas invisíveis
Mantenha seus olhos no céu,
Descanse seu olhar cansado.

Depois olhe aos meus olhos
E enxerga minh’alma nua,
Despida à sua mirada,
Que esse olhar tape o mundo exterior,
Concentre-se neste clímax de silêncio
E que se reflita em teus olhos meu interior.

Segure minha mão, moça.
Ouça o som do trem que se aproxima,
As rodas de ferro aos trilhos, compassadas,
São como corações em batidas alternadas.
E tua vida que há tempos anda triste,
Há de tomar uma nova jornada.



Felipe Leonardo

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Poesia Amarga

Pessoa amarga,
Olhe ao teu Redor,
De quê maneira os outros te vêem?
De tua boca as palavras morrem antes de nascer,
Enquanto meus lábios guardam sorrisos,
Tua boca não sabe senão morder.

Pessoa Amarga,
Tu exalas amargura!
E continuas ferindo quem amo.
Mas em um tempo isso há de passar,
Quiçá um dia saiba,
Amarga,
Amar.


Felipe Leonardo

domingo, 4 de junho de 2017

Fio invisível

Alguém me disse uma vez,
Que há um fio invisível
Que une a borboleta ao seu casulo.
Eu quero voltar ao meu,
Caminhando para trás,
Desandando o caminho
Para ir recordando quem sou,
Para recuperar meus pedacinhos
Os que me deixaram meus pais,
Caminhando eles. Caminhando eu.
Dançando, melhor!
Porque dançar, é caminhar com a memória nos pés.
Para saber quantos...
Quantos são como eu,
Quantos são os que se foram,
Quantos foram levados,
Quantos os que desconhecemos,
Quantos os que sobraram...
Não sabemos, não sabemos nada,
Aceitamos tudo.
Nada nos surpreende...
Esquecemo-nos,
Esquecemo-nos de nós mesmos.



Felipe Leonardo