Ele entra em casa ofegante.
Bêbado, de olhos arregalados
Até as canelas sujas de lama
Tropeçando nos tapetes de linho
Cumprimenta as almas que o rodeiam,
Fala com as paredes para se escutar.
Umidades para todo tipo de relevo;
Ferrugens para todo tipo de ferro.
Se limpa com cacos de telha
Para tirar as rufas de sujeira.
Não há necessidade de tirar sangue
Mas a dor é consequência.
Molha seu pão no café
Afogando o pão, para desafogar-se.
Metendo ele goela abaixo,
Metendo-se goela abaixo.
[O mineiro tinha razão
Viver é rasgar-se e remendar-se,
E quando não dá pra se costurar
Nasce novamente,
Nasce todos os dias.]
Felipe Leonardo
