domingo, 27 de maio de 2018

Somos Deuses



Escrevo o que vejo
Assim, de simples.
Como quem pinta um retrato,
Sempre com a espera
De ficar perplexo ao fim.

Um horizonte sem poesia
É só paisagem;
Rotineira e perpétua.
E nada mais.

O horizonte quando visto
Com olhos de criança
Cria-se a mágica,
Cria-se o verso.

Deuses sempre
A admirar paisagens,
E crianças sempre
Como nossas mestras.

De poesia somos feitos.
Somos Deuses!



(Felipe Leonardo)

Noite Fantasma




A madrugada é leve e misteriosa
Como uma dama que se esconde sob o véu,
Que exala aromas e dá recompensas,
Aos que não cederam ao sono de Morfeu.

Às três da manhã tudo muda,
E um clima umbralino se faz na terra.
O mistério se silencia,
E a mão delicada da dama noturna
Por instantes me acaricia.

A noite olha-me assombrada!
- Que fazes essa hora acordado?
- Ando procurando-me...
Como um filho descuidado.

Como numa sessão mediúnica, invoco-me.
Me encontro sentado e estático,
Em um rincão qualquer de meu ser largado.
Ainda existo,
Mas calado.

Vejo a turva neblina,
Ouço a brisa matutina,
A aurora, cor de turmalina...
Ah! O sol se aproxima!



(Felipe Leonardo)

Vida Espelhada




O homem vê a luz.
Faz tudo na fralda
Dorme e reclama.
Alguém lhe respalda
Tratam-no com carinho.
 Perde a graça.
Admite consciência.
Pensa que sabe do mundo.
Isola-se de todos.
Perde a paciência
Finge estar tranqüilo.
 Mas o pouco lhe aborrece
Se acha maduro.
Seu ego enobrece.
Trabalha, pensa, aconselha.
Não é o bastante

Não é o bastante.
Trabalha, pensa, aconselha.
Seu ego enobrece.
Se acha maduro.
O pouco lhe aborrece.
Finge estar tranqüilo.
Perde a paciência.
 Isola-se de todos
Pensa que sabe do mundo.
Admite consciência.
Perde a graça.
Tratam-no com carinho.
Alguém lhe respalda.
 Dorme e reclama.
Faz tudo na fralda.
Por fim vê a luz.



(Felipe Leonardo)