A madrugada é leve e misteriosa
Como uma dama que se esconde sob o véu,
Que exala aromas e dá recompensas,
Aos que não cederam ao sono de Morfeu.
Às três da manhã tudo muda,
E um clima umbralino se faz na terra.
O mistério se silencia,
E a mão delicada da dama noturna
Por instantes me acaricia.
A noite olha-me assombrada!
- Que fazes essa hora acordado?
- Ando procurando-me...
Como um filho descuidado.
Como numa sessão mediúnica, invoco-me.
Me encontro sentado e estático,
Em um rincão qualquer de meu ser largado.
Ainda existo,
Mas calado.
Vejo a turva neblina,
Ouço a brisa matutina,
A aurora, cor de turmalina...
Ah! O sol se aproxima!
(Felipe Leonardo)

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