quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

As irmãs Tristeza e Felicidade



A felicidade somos nós,
Potencializados num Eu maior.
A tristeza nos rebaixa ao chão,
Tornando-nos aos poucos pior.

Ah! Como é empolgante,
Descrever a felicidade!
Como um furacão de emoções
Colore e enche de temperos nossa cidade!

A tristeza não. Ela é quieta...
Deixa-te sem resposta,
É reticente e monossilábica...
É preguiçosa. Nunca parece disposta.

A felicidade é orgásmica!
Faz-te viver o presente,
Te mantém erguido aos céus,
Alegria nas veias se sente.


A tristeza tem sempre a esperança,
De não ser mais triste.
Enquanto a felicidade desconhece,
Ignora que a tristeza existe.


Felipe Leonardo

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Teu beijo


Teu beijo esquenta-me a alma
Tua boca é o caminho ao céu,
Teus lábios são algodões
Tu és quadro, eu sou teu pincel.

Olhar de opala brilhante...
Tens o cheiro da manhã,
Tu me esquentas, me derreto.
Tu és manteiga e avelã.

Roubaste meu coração,
Sem nem ter dado-me conta.
Amor ninguém nos revela,
O coração nos aponta.

Delicada como flor,
Teu sorriso anestesia,
És arte renascentista,
És inteira poesia!

- Passarinho vem a mim,
Venha até o seu girassol!
- “Tens leite e mel sob a língua”.
Beija-me, traga-me o sol!


Felipe Leonardo

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Filhos de México



A lua alta e prateada,
Ilumina a cidade asteca,
Faz sombra a cruz fincada a terra,
Enquanto o cacto solitário seca,
Silencio e grilos a assobiar,
Huapango nos bares a cantar,
Aos pés da virgem a cidade peca.

O rapaz de semblante sério,
Senta de fronte a dama,
Ele de porte airoso e de sombreiro,
Não quer demonstrar que a ama.
Ela na mão leva uma rosa,
Os dois hesitam em começar a prosa,
A penumbra reforça o clima de drama.

Sobre a mesa um vaso,
Em que uma flor solitária os assiste,
Um casal de candelabros enferrujados
Um copo de tequila em riste.
O chiado ao fundo é de radio novela,
E na parede o quadro de Frida, vela,
O casal misterioso e triste.

O aroma de temperos vivos,
A toalha de mesa estampada,
Mescla suas cores vivas,
Com a saia da moça, listrada,
Com o violão encostado à parede,
Com o gato rajado miando de sede,
Com a palidez da mulher plasmada.

Virgem Guadalupe de Guadalajara,
Guarde meus jovens pais da emboscada,
Do futuro que os aguarda,
Os assisto sem dizer nada,
Debaixo da cruz aqui fincada,
Como o violão de meu pai, estarei junto em caminhada.


Felipe Leonardo

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Minha Maneira






A poesia é minha maneira,

De estar solitário.
As idéias se juntam na beira
Do papel involuntário.

Fernando Pessoa, o poeta.
“Pensar é como andar à chuva” – Dizia.
Se eu não tivesse um guarda-chuva,
Gripe na alma contrairia.


Felipe Leonardo

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Diga-me


Diga-me então o que sente
Que fixa olhas o mar.
O que faz o teu olhar
Se dissipar ao poente?

O que deveras sente?
Já parastes de andar...
Já não ouço o cantar
Tua voz adolescente.

O que de fato sente?
Cutucaste minh’alma
Já tiraste-me a calma
Amarguradamente.

Escuta por favor,
Não me negues ouvido,
Lembre-se do pedido,
Que te fiz com fervor!

Lembre de nossas mãos,
Grudadas ao sol posto,
Beijavas o teu rosto,
A tua boca obsessão.

Sinto-lhe bem distante
Tua frieza me impacta.
Sinto-lhe longe. Intacta.
Um retrato na estante.


Felipe Leonardo


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Ode à minha Essência


 Oh! Bela morena!
Minha distorcida imagem
De aparente serenidade,
Esconde-me calos da alma
Que anseia em liberdade!

Que nestes versos livres,
Apresento-lhe minha hombridade,
Do menino-homem que mora em mim
Com cordial receptividade.

Debruçado à beira da janela
Confesso-te meu paradeiro
Leio os versos de Alberto Caeiro
Até me arderem os olhos.

Com prazer a ti me apresento,
Digo-lhe também minha religiosidade,
De dar à alma alimento
Nela está nossa longevidade.

A ti te presenteio meu tempo
O presente mais valioso,
Nele cabe todo sentimento
Dentro de um coração carinhoso.

Oh! Linda morena,
A ti lhe mostrei meus bens.
Além de tua beleza serena,
Tu, mostre-me o que tens!


Felipe Leonardo

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Oasis Nordestino






Acordo com o sereno matinal,
Ouço mainha a andar no chão de madeira,
O anu canta debaixo da mangueira,
Sob o imponente sol tropical.

Acorde acordeom!
Em seus acordes me desperto,
Abraço e o faço perto,
Meu dia clareia com seu som.

- Mas olhe que esse menino acordou animado!
Dizia a vizinha que passava na janela.
- Deve estar a pensar naquela menina donzela!
Dizia mainha com o cuscuz recém preparado.

A roupa no varal baila com a brisa,
Na varanda, a saia da morena balança,
 - Meu Padre Ciço! Ela anda parece que dança!
O vento se enche de perfume onde ela pisa.

Pela tarde, o silêncio no marasmo nos brinda,
Mas se interrompe por um reboliço na praça.
- Homem, presta atenção, larga essa cachaça!
São repentes da Paraíba ou a folia de Olinda?

Quando o folclore desfila, sequer pisco.
Na igreja se encena um auto de Suassuna,
Alegria que vale mais que fortuna,
A festa se ecoa até o Rio São Francisco.

A noite cai na terra de mamelucos,
Sob o coaxar dos sapos e a vaia dos grilos,
Nordeste afora, são quantos os estilos...
Quantos Sergipes, quantos Pernambucos!

Debruçado à beira da janela avisto,
A lua prateada tingir a relva no horizonte.
Lá p’raquelas bandas, depois da ponte,
Onde na quaresma encenavam o Cristo.

A coruja debruçada no galho antigo,
Vê somente o breu tingir a mata,
As aves noturnas fazem a serenata.
À noite quente, que se faz de abrigo.

Já corre alta, noite Severina,
A cera no candelabro se acumula,
Ouço o relinchar de boa noite da mula,
Incomodada com a luz da lamparina...

Valei-me Nossa Senhora!
Será só eu que não durmo?
Logo vem o sol, com a lua mudar de turno
Repetir a rotina sertão afora.


Felipe Leonardo

A noite tem cheiro



A noite tem cheiro
No verão se faz notar,
A brisa da palmeira,
Traz o perfume do mar,
De janta recém feita,
Junto com cheiro de shampoo,
Da moça que alí se ajeita.

A noite tem cheiro
Misturada de paixão,
Do rapaz que olha as estrelas,
Que escreve sobre amor e perdão.
E que pensa na amada,
Que olha a lua, sentada,
Ociosa em distração.

Como definir então
Tão singular fragrância,
Que a noite com elegância,
Presenteia-nos com gratidão?
Ah! Noite inspiradora!
És bálsamo tranquilizante,
Benfeitora acalentadora!


Felipe Leonardo

Tarde Ociosa



A brisa suave vespertina
Nós e o balançar das cortinas
Tu e eu.
Sol  laranja o quarto invade,
Nos tirando a privacidade.
Todo teu.
Que elegante és tu ao dormir,
Nua, esquecera de vestir.
Corpo meu.
A tarde ingênua delicada
Silêncio das almas caladas.
Apogeu.
A respiração compassada
Sobre a já amassada almofada.
Escureceu.
- Sol! Aonde vai? Por que já parte?
Já retirara seu estandarte.
Lua e breu.
Duas moças fazem-me sala,
Agora o luar e minha amada.
Paz me deu.


Felipe Leonardo

Marinheiro de Portugal





Navega pois o marinheiro solitário,
O mar prolongado ao céu ele olhava.
O fado de Amália cantava,
À proa do barco sentado.

A antiga nau agora é veleiro,
Saíra cedinho de terras portuguesas,
A desbravar o mar e suas presas,
O mar atlântico por Inteiro.

Distraído a ler Camões,
Viu que navegava por águas cinzentas.
Confundira a Ilha da Madeira,
Com o famigerado Cabo das Tormentas.

Ah! Que saudades de terra Firme – dizia o marinheiro.
Sem necessidades de seu capitão ouvir sermões,
Solitário ao vento vai o veleiro,
Portugal já não carrega seus grilhões.


Felipe Leonardo

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Quem é Felipe Leonardo


   Dizem que é um homem de alma simples, memória falha, sorridente, e amante de culturas e povos antigos. Daí vem seu exótico gosto pela arte, romantismo, latinidades e folclorismos em geral.   

Apesar de ser reservado, tem muito bom humor, sobretudo se está bem disposto, o que acontece quando conversa assuntos afins com amigos e família.   

É um homem otimista e de extrema sensibilidade, variando momentos de sabedoria e ingenuidade que intriga... De qualquer forma, não se pode negar sua atração pelo oculto e pela maneira espiritual e pensativa que lida com assuntos diversos da vida.





Aninha e Suas Pedras

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso

aos que têm sede.


Cora Coralina