sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Filhos de México



A lua alta e prateada,
Ilumina a cidade asteca,
Faz sombra a cruz fincada a terra,
Enquanto o cacto solitário seca,
Silencio e grilos a assobiar,
Huapango nos bares a cantar,
Aos pés da virgem a cidade peca.

O rapaz de semblante sério,
Senta de fronte a dama,
Ele de porte airoso e de sombreiro,
Não quer demonstrar que a ama.
Ela na mão leva uma rosa,
Os dois hesitam em começar a prosa,
A penumbra reforça o clima de drama.

Sobre a mesa um vaso,
Em que uma flor solitária os assiste,
Um casal de candelabros enferrujados
Um copo de tequila em riste.
O chiado ao fundo é de radio novela,
E na parede o quadro de Frida, vela,
O casal misterioso e triste.

O aroma de temperos vivos,
A toalha de mesa estampada,
Mescla suas cores vivas,
Com a saia da moça, listrada,
Com o violão encostado à parede,
Com o gato rajado miando de sede,
Com a palidez da mulher plasmada.

Virgem Guadalupe de Guadalajara,
Guarde meus jovens pais da emboscada,
Do futuro que os aguarda,
Os assisto sem dizer nada,
Debaixo da cruz aqui fincada,
Como o violão de meu pai, estarei junto em caminhada.


Felipe Leonardo

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