quarta-feira, 27 de março de 2019

Tudo o que possuo não toco






Amo o intangível,
Tudo o que possuo, não toco.  
O visível são devaneios
Que a realidade entrega

Eu admiro o longe.
As árvores de ramos altos
Que tocam o céu e se espreguiçam nos galhos,
E a chuva ansiosa que pesa nas nuvens.

Enquanto vivo, sinto.
Engravido-me de futuro.
Anseio seu sorriso de pôr do sol
E seus olhos negros de nebulosa.

Sonho o infinito,
O que possuo não toco.
Contento-me.
Fecho os olhos e o admiro,
Enquanto não posso guardá-los no bolso.





(Felipe Leonardo)

domingo, 17 de março de 2019

Sacola de sonhos





A ti entrego tudo o que tenho.
Despejo em teu colo minha alma nua
Invoco minha melhor parte
E sorrio aos teus olhos boreais.

A ti entrego tudo o que tenho;
Meu riso, minha alma e meu amor.
Me jogo em teu precipício sem ver,
Despenco de braços abertos,
E em meu rastro crescem flores.

Trago comigo uma sacola cheia de sonhos,
Abro-a e mostro-te feliz, como uma criança no dia 25.
Cada sonho me cabe na palma da mão,
Mas não me cabe na alma.
Pego-os com carinho e a ti entrego,
Juntos somos infinitos.




(Felipe Leonardo)

domingo, 10 de março de 2019

Minhas salas vazias






Minhas mãos silenciosas
Batem palmas no escuro.
Sou um homem ecoado.

Em minhas salas vazias,
Tictaqueam os relógios
Em ecos compassados.

Palmas de aço
Se atritam no escuro.
Faíscas de fogo.

Luzes tagarelas
Falam e iluminam.
Viram o jogo.

Minhas salas vazias
Nunca se aquietam,
São cheias de mim.

E ainda que escuras,
Suas palmas reluzem
Minhas melhores partes.




(Felipe Leonardo)