Vem sentar-se ao meu lado
No banco da estação, moça.
Que os trens que vem e vão,
São efêmeros como nossas vidas,
Cada partida uma despedida,
Cada chegada uma alegria.
Vem! Sente-se ao meu lado moça.
Repara que os trilhos são caminhos,
E de nossos caminhos, cuidamos nós.
Essas pessoas nos são alheias,
Não conhecem nossas fraquezas
E na maioria também estão sós.
E que nessa pressa que todos têm,
Não nos incomode aqui sentados,
Deixe-os correr desesperados,
Às suas corridas invisíveis
Mantenha seus olhos no céu,
Descanse seu olhar cansado.
Depois olhe aos meus olhos
E enxerga minh’alma nua,
Despida à sua mirada,
Que esse olhar tape o mundo exterior,
Concentre-se neste clímax de silêncio
E que se reflita em teus olhos meu interior.
Segure minha mão, moça.
Ouça o som do trem que se aproxima,
As rodas de ferro aos trilhos, compassadas,
São como corações em batidas alternadas.
E tua vida que há tempos anda triste,
Há de tomar uma nova jornada.
Felipe Leonardo

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