Há profundidades assustadoras.
Há a ansiedade latente
De uma alma encarcerada.
No marasmo de um olhar humano
Silenciado no horizonte,
Há uma essência não-humana
Que beira o divino.
Recuso-me a olhar-te de frente
Tuas pupilas ameaçam engolir-me.
São como um par de ímãs
A sugar minha alma a um buraco negro...
Assusto-me com o quanto diz teu olhar,
E o eco que soa do teu interior!
Dizem coisas que meus ouvidos nunca escutaram,
Expressam sensações que só os olhos percebem.
Tuas córneas transformam-se em janelas
Para tua alma debruçar-se a olhar.
Percebo-a mirando o vazio,
Como namoradeiras que olham além do vidro.
Buscam achar algo, mas não encontram nada além de
paisagem.
Anseiam ver o que não podem ver,
E aspiram encontrar sonhos que só existem da janela para dentro.
Sim, as almas têm vocabulário próprio
E conversam entre si inconscientes!
E a beleza de todo mistério
É este silêncio que palavra nenhuma descreve.
São olhares, suspiros e sensações,
E suposições de algo no fundo.
(Felipe Leonardo)
Pintura: R. Magritte - O Falso Espelho
(Felipe Leonardo)
Pintura: R. Magritte - O Falso Espelho

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