sábado, 25 de março de 2017

Biblioteca


Sozinho sentado à mesa,
Custam-me os versos a saírem,
Livros e prateleiras me rodeiam,
E me olham ansiosas e aflitas,
- Não há ninguém nesta sala,
  Não há ninguém neste recinto!
Nesta vasta biblioteca,
Que mais parece labirinto.

Sinto-me vigiado
Encurralado por papéis,
Intimidado por idéias,
Dos grandes poetas fiéis,
Que não me falam um “a” sequer,
Mas que fazem do silêncio,
Um interminável “mal-me-quer”

No silêncio que noite adentro vai,
Barulho, só de minha mente,
Que entra em êxtase, contente,
Quando a primeira estrofe sai.


Felipe Leonardo

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