quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O Povo líquido e a Cidade de Ferro


A multidão que chega no trem de ferro,
É líquida e veloz como a água corrente.
Suas mentes estão presas dentro de uma camisa de força
E adoecem ao longo do tempo.

Ao chegarem à estação de ferro,
Se aperream perto da escada,
E escorrem ralo abaixo,
Desembocando em um riacho qualquer.

A cidade também é de ferro,
E nos obriga a ser dura como ela.
A filosofia de sua gente também é líquida,
É superficial e atravessa a mente como um rio.
Ideias para molhar as mãos...
E nada mais.

E as pessoas, líquidas e reféns,
Olham-se esquivas, como estranhos.
Líquidas, no olhar distante e marejado,
Molhadas, no suor da sobrevida,
Sonhos ensopados de água fria,
E a alma enferrujada ao fim da vida.



(Felipe Leonardo)

Nenhum comentário:

Postar um comentário