Minha alma tapa-me os olhos
E me faz caminhar sem ver.
Sou dois a dirigir um só corpo.
Sinto o vento frio do abismo
Ou talvez a brisa do almejado paraíso?
Fico cego de vista
Mas com o olhar nítido da alma
Caminho por onde nunca pisei,
E confio nos passos involuntários do espírito.
Meu destino é uma bússola quebrada
Seus ponteiros irregulares apontam-me direções.
E quando às pessoas peço opiniões,
Apontam-me sempre o outro lado.
[ Por vezes confundo o lodo podre e enxofre,
Com algodões brancos e perfumados...
Chamam meu nome... Eu os escuto!
- Deixem-me ser quem sou!
Quero conhecer-me antes de descobrir vocês!]
Caminho de olhos vendados
A um destino que só minha alma conhece.
Ela mostra-me um mapa, sempre.
Meu olhar perdido no horizonte
É minha concentração atenta
A tudo o que ela diz.
Meu coração a bater mais forte
São sinais de grandes emoções
Que minha alma pressente.
E minhas risadas aleatórias
É ela contando-me piadas
E a fazer comentários indevidos...
Sigamos a intuição
Como um filho que escuta seu pai.
A alma tem sempre a razão,
Se a bússola do destino se foi,
Ela nos segura pela mão.
(Felipe Leonardo)

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