Costuro o dia com as linhas que tenho,
E uma agulha enferrujada que me resta.
Os olhos cansados têm o peso do mundo,
Cada piscada, um ano morre.
Mas a chuva despencou inesperada
Como tudo na vida.
E me espreguicei longe, tocando os algodões.
Pandemia de bocejos, sonos de todos os tipos,
Cheiro de dama-da-noite,
Misturada com bife ao molho da vó
Por fim, a linha escreveu o poema,
E a vida ficou para o dia seguinte
Como tudo na vida.
[Felipe Leonardo]
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