quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Costurar o dia



 Costuro o dia com as linhas que tenho,

E uma agulha enferrujada que me resta.

Os olhos cansados têm o peso do mundo,

Cada piscada, um ano morre.


Mas a chuva despencou inesperada

Como tudo na vida.

E me espreguicei longe, tocando os algodões.


Pandemia de bocejos, sonos de todos os tipos,

Cheiro de dama-da-noite,

Misturada com bife ao molho da vó


Por fim, a linha escreveu o poema,

E a vida ficou para o dia seguinte

Como tudo na vida.



[Felipe Leonardo]

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