Segue o rio envenenado,
Sem alento pelo mundo
Com seu canto bem profundo
Mas não parece revoltado.
Os xamãs lhe têm rezado,
Para curá-lo tantas vezes,
Tantas mortes. Não mereces...
Ah! Tu sabias, triste rio,
Beberam-te. Roubaram-te o brio,
E seu choro me estremece.
Anda o rio entristecido,
Perguntando pelos mares,
Conhecia seus cantares,
E agora seco está perdido.
Recorda-se já crescido,
Com sua água compassada,
Serpenteando, Delgada.
Dando vida sem fronteiras,
Mais além de suas beiras,
Está sua amante salgada.
Segue o rio já sem toada,
Com suas águas já detidas,
Silenciosa despedida,
Não poderá ver sua amada.
Suas margens desoladas,
Sem as árvores de outrora,
Já não há relvas redentoras
Nem a onça com sua bravia,
Nem os pássaros vigias,
Nem as correntes canoas.
Tradução de Felipe Leonardo

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