segunda-feira, 31 de julho de 2017

Alma Estrangeira



Minha alma é estrangeira
Nesta cidade, neste mundo talvez...

Por vezes sou tomado,
Por uma euforia repentina,
Que ninguém a minha volta sente
E por vezes sou atingido
Por uma tristeza funda,
Enquanto ao meu lado todos riem.

Sou alheio a tudo e a todos.
Sou míope de vista,
Mas tenho os olhos atentos da alma,
E o que enxergo com esta segunda,
É a essência que sobrevoa
A linha tênue entre a carne e a alma
A partícula divina de cada pessoa.

O mundo é das almas infantis e femininas,
Os homens não sabem de nada.
São aprendizes na caminhada
Acorrentados a vícios animalescos
Que os prendem ao lodo.

(Ah se os homens tivessem a pureza,
Que tem uma criança ao sorrir,
Ou se tivessem a bondade feminina,
A sutileza angelical de quem tem
A permissão de levar outra vida no ventre...)

Eu sou homem já feito,
Mas também fui criança
E trago junto ao peito,
O cheiro do abrigo materno
A partícula divina que me referia,
A essência pura do respeito.

Quero ter meu dever cumprido
E que meus versos digam,
O que minha boca se calou.
Pega tu o lápis à mão,
Senta-te à cama onde escrevia,
E peça a teus amigos inspiração,
Pois por mais que te sintas sozinho
Alguém te estenderá a mão!

Nossa vista se descortinará
O sol entrará, fino, pela fresta da porta
E nos dará o suspiro de esperança,
Haveremos de ter tempo para cultivar
Nosso riso de criança.


(Felipe Leonardo)

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