Benditas sejam as pessoas que sentem!
Riem, choram, erram, sonham,
E admitem-se humanos.
Porém, reflito:
Quão alegre é a vida das pessoas práticas!
Saber viver e não sentir,
Se abdicar dos sonhos para viver o real.
Desconhecer o sensível
E sorrir todo o tempo.
Que praticidade invejável tem as pessoas práticas!
Conservar-se de gelo,
Subornar sem que lhe pese a consciência,
Colocar objetos e coisas à frente de almas,
E viver entre vidros opacos que nunca lhe deixam tocar a vida.
Pois quem sente é sonhador!
Feliz de dia e triste à noite.
E quem não sente, é prático!
Estrategista e alegre sempre.
Manda e governa quem não sente.
Eu, o que vivo é sonho.
Minha mente é um redemoinho,
E as ideias giram em espirais.
Emaranhadas e cacheadas como meus cabelos.
E enquanto escrevo estes versos nada práticos,
Continuo sentindo.
Percebo o vento a mover saias e pipas,
E deixo o sol tocar minha pele.
Contemplo a paisagem do mundo pela janela,
E me reconheço natural.
Sou feliz e triste!
(Felipe Leonardo)

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