quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Bagunça




Meu quarto parece ter vida própria
Já é de mim uma extensão.
Se já não bastassem as letras soltas na mente,
Que avulsas me atormentam,
Tenho que conviver com as palavras soltas onde durmo,
E ouvir as queixas dos móveis que ali estão!

A bagunça por lá anda feia!
Todo dia uma discussão.
Cômodas embriagadas de ler Pessoa,
Cabides discutindo métricas à toa,
Porta retratos desorientados com um tal verso largado,
Gavetas boquiabertas, pasmadas com Jorge Amado,
E janelas apaixonadas de tanto ouvir Castro Alves.
Mal sei por onde ajudá-los!



(Felipe Leonardo)


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