A rotina cega.
A alma fica inerte,
E nas vezes que o vento passa,
Não recita mais nada.
Só diz que é vento e permanece mudo
Num ensurdecedor silêncio.
Cegueira de alma é um perigo.
Quando o vento emudece,
As flores se acinzentam, as metáforas somem,
E olho-me com as costas dos olhos.
Se a poesia emudece
Morremos em vida.
Cadáveres prorrogados,
Perdidos na rotina.
(Felipe Leonardo)

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