Fecho a janela e as cortinas.
Do mundo, ao fim do dia,
Restamos eu e minha poesia.
Ela é sempre abusada comigo.
Encara-me na penumbra do quarto
Olhando-me fixamente,
Esperando a confissão.
Atira-me sorrisos de canto,
Como quem sabe o que está por vir,
E deita-se ao meu lado,
Sorrindo como criança para o teto.
Dormimos.
O silencio forra o ar,
Com um manto de veludo
E tudo emudece.
O silêncio é a poesia,
Calada e encolhida,
Nas vésperas de nascer.
Nas vésperas de nascer.
(Felipe Leonardo)

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