terça-feira, 11 de setembro de 2018

Poeta e Poesia







Fecho a janela e as cortinas.
Do mundo, ao fim do dia,
Restamos eu e minha poesia.

Ela é sempre abusada comigo.
Encara-me na penumbra do quarto
Olhando-me fixamente,
Esperando a confissão.

Atira-me sorrisos de canto,
Como quem sabe o que está por vir,
E deita-se ao meu lado,
Sorrindo como criança para o teto.

Dormimos.
O silencio forra o ar,
Com um manto de veludo
E tudo emudece.
O silêncio é a poesia,
Calada e encolhida,
Nas vésperas de nascer.




(Felipe Leonardo)

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