A realidade fria e estática,
É como um muro firme e antigo.
Estava por lá antes mesmo de
nascermos.
Antes mesmo de Deus.
Os trilhos colados ao chão
Que servem de tapetes aos
trens,
E o céu cinza que derrama
leite muito branco,
Cega os rostos da multidão
passiva.
O tédio é um espelho,
Que se reflete nos olhos.
Toda a realidade e suas coisas
Excessivamente reais e
pragmáticas,
Personificam nossos
sentimentos.
Posso ver o tédio em forma de
gente,
Vestido de social nesta
segunda pela manhã.
Os trens bem poderiam falar,
Ou criarem diálogos com a
multidão que o espera.
Ou contar-nos confidências com
os trilhos,
Ou reflexões com a chuva que os
cutucam com pingos.
Ou isso, ou aquilo...
[A criança que segura na mão
do pai
Encara-o ansiosa e pensativa.
Olha a todos como quem vê o
tédio por fora.
Todos estão na bolha, menos
ela.
Talvez em sua mente os trens
têm vida
E os ratinhos conversam com as
formigas.
Ao menos isso basta para o
cinza sumir.]
Os sonhos nunca são tediosos.
Flutuam em nós como nuvens
E insistem em se fazer
realidade.
Os sonhos somos nós elevados
às nuvens.
E enquanto vivermos
E estivermos todos sob o mesmo
céu cinza leitoso,
Continuaremos a ter inveja das
crianças,
Que tateiam seus sonhos na realidade.Felipe Leonardo

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