sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

A realidade é um muro antigo






A realidade fria e estática,
É como um muro firme e antigo.
Estava por lá antes mesmo de nascermos.
Antes mesmo de Deus.

Os trilhos colados ao chão
Que servem de tapetes aos trens,
E o céu cinza que derrama leite muito branco,
Cega os rostos da multidão passiva.
O tédio é um espelho,
Que se reflete nos olhos.

Toda a realidade e suas coisas
Excessivamente reais e pragmáticas,
Personificam nossos sentimentos.
Posso ver o tédio em forma de gente,
Vestido de social nesta segunda pela manhã.

Os trens bem poderiam falar,
Ou criarem diálogos com a multidão que o espera.
Ou contar-nos confidências com os trilhos,
Ou reflexões com a chuva que os cutucam com pingos.
Ou isso, ou aquilo...

[A criança que segura na mão do pai
Encara-o ansiosa e pensativa.
Olha a todos como quem vê o tédio por fora.
Todos estão na bolha, menos ela.
Talvez em sua mente os trens têm vida
E os ratinhos conversam com as formigas.
Ao menos isso basta para o cinza sumir.]

Os sonhos nunca são tediosos.
Flutuam em nós como nuvens
E insistem em se fazer realidade.
Os sonhos somos nós elevados às nuvens.

E enquanto vivermos
E estivermos todos sob o mesmo céu cinza leitoso,
Continuaremos a ter inveja das crianças,
Que tateiam seus sonhos na realidade.



Felipe Leonardo

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