quinta-feira, 4 de junho de 2020

Poema em branco





Num dia branco como foi ontem,
E como foram os últimos dois meses,
Olhei para cima, e o céu se confundiu 
Com o teto branco do quarto.


Um branco sujo e tedioso.
Um céu cansado. Um teto cansado.
Já esgotado de tantas lutas.
Já esgotado de tantos egos.


Tudo um tanto claro, mas não nítido.
Tudo acima de mim permanecia míope e turvo.
Branquíssimo, covarde e incerto,
Como um voto branco em outubro.


Felipe Leonardo

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