O fogo que se sustenta na vela
Tremula inseguro como a pátria
Um sopro: e breu.
A luz faz sombras cambaleantes
Fogo raso e farsante
Um sopro: e o frio.
O colorau do jantar fino
É o mesmo urucum que envermelha o índio.
Um sopro: e o vazio
[As roupas que sacodem no varal da laje, têm rasgos;
Rasgos pequenos, grandes, redondos...
Pra quê tantos rasgos, meu Deus?]
O olhar permanece fixo num horizonte confuso,
E no peito dos homens
A ânsia em ser Deus sem esforço.
(Felipe Leonardo)

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