Quando o dia morre
A noite é o que sobra,
Latidos em ecos infinitos
E o mundo é embrião.
A noite grávida do novo dia
Prepara seu parto;
Às quatro o primeiro motor dá a partida,
E os portões rangem e se espreguiçam.
Eu sou o pai deste dia;
Vejo-o nascer diante de mim.
Antes de tê-lo nas mãos, sou Deus.
Mas quando a primeira luz toca minha pele
E o Bom dia fura meus tímpanos,
Viro filho como todos os outros.
"Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama,
Mas acordamos e ele é opaco."
O poema,
O dia,
Nós,
Todos nascemos prematuros.
[Felipe Leonardo]

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