segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Ansonhedades Juvenis




Em idade de encantamentos como essa,
Somos todos entusiasmo e alegria.
Incorporamos alma de romancista,
Em que a ideia é água corrente e não cessa.

Os ventos da juventude!
Amores promissores,
Ventos sem rumores,
Onde cada caminho é novidade.


[- Não, não é hora de escrever!
Vou sair... Encontrar os amigos!
Rir e dançar! Preciso ir.
Escrevo quando chegar.]

Ah, mas nem tudo é perfume,
Sofro de ansonhedade...
Sonhos ansiosos que me atropelam.
A vida voa em minha frente,
Agarro-a em vão. Ela escorre pela mão.
E sempre tenho a sensação,
De estar atrasado.

[Em mesas de jantar - as poucas que ainda vivem,
Existem grandes filosofias. Filosofias guardadas em segredo.
É falta de educação falar com a boca cheia.]
- Pai, escuta!
Depois que comecei a ler Neruda,
Aprendi a ver o feminino com olhar de poeta!
Pois é delas o mundo e os amores,
"É o coração de uma mulher que faz o mundo girar"

- Mãe, é possível ser novo a vida inteira?
Tenho muitos sonhos para se sonhar,
Preciso de tempo para eles!
Pois o que é do homem sem sonhos?
E preciso de tempo para viver,
Pois o que é do homem sem a vida?
- Minha irmã, passe-me o sal.
Para temperar a rotina, por favor.
Obrigado!

No quarto, ao fim do dia
A agitação e a euforia se aquietam.
Elas dormem como crianças,
Enquanto a alma respira e espera o porvir.
No silêncio me encontro,
E comigo entro em comunhão,
Estes versos são minha eucaristia.
Oremos.




(Felipe Leonardo)

Um comentário:

  1. Lindo e verdadeiro poema. Amo escrever também. Parabens. Tem alma nele.

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