Grandes almas me acompanham.
Elas me escoltam pelas estradas,
E abrem os braços, ajoelhadas
Para o meu engatinhar da vida.
Mas neste momento, comigo estão enfurecidas.
Estão do outro lado da porta discutindo sobre mim,
Enquanto escrevo estas palavras preocupadas,
E cantarolo uma bossa qualquer...
- Preciso lhes dizer logo, antes que me percebam!
Elas comentam sobre o tamanho do meu coração.
Preocupam-se com o risco que corro,
Ficam indignadas com o caminho que percorro,
Exclamam que gosto de sofrer!
Mas que culpa tenho eu!?
Se me deram peito de poeta,
Se cada olhar gentil, cada gesto febril,
Cada sorriso preguiçoso e cada olhar impetuoso
Penetram-me a alma rasgando tudo por dentro.
Que culpa tenho!?
Se me deram um coração para cada parte do corpo.
Uma mente só, para fingir que não estou morto,
E um pêndulo desigual entre razão e emoção.
Com a sensibilidade que me deram,
Cheguei com grandes intenções.
Encontrei somente fechaduras trancadas,
Portas encadeadas,
E com a chave do lado de dentro.
Com poesia se faz tudo:
Bolos e felicidades,
Música e possibilidades.
Com poesia cria-se mundos.
Com poesia se faz tudo:
Bolos e felicidades,
Música e possibilidades.
Com poesia cria-se mundos.
- Pois bem, elas vêm vindo, preciso ir!
Não sei o que de mim irão dizer,
Ou o que hão de exigir,
A bossa continuará a tocar,
E numa moça continuarei a pensar.
(Felipe Leonardo)

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