terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Carta à Inspiração


Há tempos não escrevo.
Ultimamente venho sendo tomado
Por uma agonizante euforia.
Um entusiasmo cego
Que me cega de ser sensível.
Sem sensibilidade, não há poesia!

Abro a janela do alto prédio
E admiro a paisagem de maquete,
E as pessoas que de tão pequenas, parecem inofensivas.
Olho os aviões e seus rasantes
E os montes no horizonte,
Mas não a encontro.
Ouço o vento ligeiro a assobiar,
Mas não a ouço.
Vejo toda a realidade incrivelmente real,
Mas não a vejo.

Inspiração,
Espero-te pacientemente em silêncio,
Dentro de minha alma.
Que em meu coração nasça a calma
Antes de o dia escurecer,
Pois só quando o entusiasmo se vai
E a vida boêmia dorme,
Eu posso escutar seus acordes
E por fim, começar a escrever.



(Felipe Leonardo)


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